Artista plástico revela mais um entre seus muitos talentos, em lançamento e exposição no MACP da UFMT

19/09/2019 às 18:27


A partir deste lançamento em Cuiabá, os que acompanham a trajetória de Humberto Espíndola, artista de grande representatividade para Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, vai se surpreender com a apresentação da sua veia literária, de mãos dadas com o artista visual. O lançamento do livro “Pintura e verso”, publicado pela Entrelinhas Editora, será realizado no Museu de Arte e de Cultura Popular da UFMT a partir das 19 horas de 24 de setembro. A exposição homônima segue até o dia 4 de outubro.


Espíndola conta no livro que entre os 14 e 18 anos escreveu os seus primeiros versos. Aos 20 anos ele chegou a Curitiba, onde cursou faculdade de Jornalismo, como um poeta, participando dos movimentos lítero-teatrais da época. Mas ao assistir as fantásticas aulas de história da Arte pelo professor Barontini, apaixonou-se pela pintura. No livro Espíndola revela que ao retornar a Mato Grosso queimou mais de 320 poemas e pediu à sua irmã, Tetê Espíndola, que jogasse as cinzas no rio Cuiabá. Foi o seu ritual de passagem ao decidir dedicar-se às artes plásticas.


Nos seus mais de 50 anos de trajetória artística, outras vertentes o tentaram: a composição musical, a interpretação, a performance, a direção de espetáculos, a produção literária, incluindo aí a poesia. Poucos sabem, mas Espíndola tem uma voz potente e comunga do extraordinário talento musical da família.


Em “Pintura e verso”, edição limitada de livro de arte em capa dura, Espíndola apresenta poemas que começou a escrever a partir de 2011, quando Marcio Markendorf, professor doutor na área de literatura, escritor e ensaísta, lhe apresenta o Twitter. O artista reconheceu na ferramenta um grande potencial para a literatura e por meio dela aconteceu um ‘grande encontro’. E assim, 77 obras acompanham 109 poemas.


Para Marcio Markendof, “Pintura e verso” figura como um trabalho comemorativo dos 50 anos de bovinocultura, oferecendo ao leitor outro produto criativo derivado da exploração estética da figura bovina – a escrita literária. E acrescenta: “Inspirado pelos ideais do muralismo mexicano, Humberto Espíndola produziu um tipo singular de arte na abordagem de um elemento-símbolo da cultura de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul”. Encerra a sua apresentação destacando: “o conjunto de relações evocadas até agora justifica este trabalho único na literatura brasileira e nas artes visuais, concebido como projeto verbo-visual para os fins comemorativos da arte cinquentenária da bovinocultura. O encontro da pintura e da poesia, no jogo da reinvenção artística, por fim, pede a reescrita do aforismo inicial: ‘Como na pintura, o poema-boi’.”


A editora do livro Maria Teresa Carrión Carracedo, destaca que a atualidade, a enorme carga simbólica e a força da obra de Espíndola surpreende com frequência: “Mergulhados em uma grande polêmica internacional em relação às trágicas queimadas e ao desmatamento criminoso na Amazônia, eis que o artista nos oferece em seu livro a obra ‘Devastação da Amazônia’, um óleo sobre tela de 1980 (130 x 170 cm), magnífico e icônico, pertencente ao acervo do Museu de Arte e de Cultura Popular da UFMT – o mesmo museu que ajudou a fundar na década de 1970, com a crítica de arte e animadora cultural Aline Figueiredo. E para a obra, Espíndola escreve o seguinte poema: ‘Ah esse Nortão / do mato grosso e misterioso... / Verde ainda te quero / Via sacra de quadros dolorosos / Madeiro de cruzes / e oxigênios derramados’. É impossível ficar indiferente a uma obra ou a um poema de Espíndola.”


Como reconhecimento aos 50 anos dedicados à bovinocultura e por meio dela à reflexão e discussão de vanguarda de questões importantes para o Brasil e o mundo, destacadamente em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, Espíndola acaba de receber dois títulos de Doutor Honoris Causa. Um pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul e outro pela Universidade Católica Dom Bosco.


Ao falar aos leitores sobre o seu grande encontro com a poesia e a arte, Espíndola pontua: “Penso, qual plástica ajunto a essa literatura? Na verdade, apenas cenário desse teatro existencial onde a síntese poética versus a imagem é a razão do mistério simbólico. A intuição é sempre salvadora. Este é o resultado que lhes entrego.”


Devastação da Amazônia [ óleo sobre tela, 130 x 170 cm, 1980 ] © José Maurício | HE | c. 1990 | Acervo do MACP, em Cuiabá


Trajetória artística

Humberto Espíndola (Campo Grande-MS, 1943). Artista plástico. Cria e desenvolve o tema Bovinocultura desde 1967. Conquista uma posição histórica no capítulo da descentralização da arte brasileira e é citado na principal bibliografia de referência, como Arte e artistas plásticos no Brasil 2000 (Ed. Metalivros), uma seleção dos 100 principais artistas plásticos brasileiros vivos e BrazilianArt III (UC Editora, 2002), 42 artistas. Obteve prêmio extra-regulamentar bolsa-de-estudo no exterior na 11ª Bienal Internacional de São Paulo (1971). Integrou a representação brasileira na 36ª Bienal de Veneza, Itália, 3ª Bienal de Arte Coltejer em Medellin, Colômbia (1972); 1ª Bienal Latino-americana de São Paulo/Mitos e Magia, 1ª Bienal Ibero-americana de Pintura, México (1978); 1ª Bienal de Havana, Cuba (1984), 2ª Bienal Internacional de Cuenca, Equador (1989); Pintura Contemporânea de Brasil, Casa Rômulo Gallegos, Venezuela (1990); Viva Brasil, Museu de Arte Contempoorânea da Universidade do Chile, Santiago (1996); Seis artistas brasileiros: Dimensões do ser e do tempo, Museu de Arte de Cochabamba e Museu de Arte de La Paz, Bolívia, Kingsman Foundation, Quito e Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (1997). Participou de diversas coletivas nacionais, obtendo mais de quinze premiações, destacando-se: Grande Prêmio Prefeitura Municipal no 3º Salão de Arte Contemporânea de Campinas, SP, Prêmio cidade de Santo André no 1º Salão de Arte Contemporânea de Santo André, SP, Prêmio aquisição no 1º Salão Oficial de Arte Moderna de Santos, SP, referência especial do júri na 2º Bienal Nacional de Artes Plásticas de Salvador (1968); Isenção de júri no 18º Salão Nacional de Arte Moderna, Rio de Janeiro, Prêmio aquisição na 3ª Exposição Jovem Arte Contemporânea, Museu de Arte Contemporânea (MAC) da Universidade de São Paulo (USP), Prêmio Prefeitura Municipal no 1º Salão Nacional de Arte de Belo Horizonte, indicado à 6ª Bienal de Paris, quando a representação brasileira foi impedida pela censura (1969); Prêmio melhor do ano (pintura) pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) (1977); Prêmio aquisição no 36º Salão Paranaense de Belas Artes, Curitiba (1979); Artista convidado no 7º Salão Nacional de Artes Plásticas, Museu de Arte Moderna (MAM), Rio de Janeiro (1984); Homenagem Especial da Associação Brasileira de Críticos de Arte (ABCA) pela contribuição à cultura brasileira (2004). Realizou mostras individuais, destacando-se: Sala Goeldi, Rio de Janeiro (1969); Galeria Portal, São Paulo, Galeria Ipanema, Rio de Janeiro (1972); Rosas/rosetas, Museu de Arte Brasileira (MAB) da Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), São Paulo, Fundação Cultural do Distrito Federal, Brasília e Museu de Arte e de Cultura Popular (MACP) da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Cuiabá (1977); Museu de Arte Contemporânea do Paraná (MAC) (1980); Panorama Retrospectivo – Bovinocultura 1967/2002, Casa Andrade Muricy, Curitiba (2000); Museu de Arte Contemporânea (MARCO), Campo Grande e MACP da UFMT, Cuiabá (2002) e Museu de Arte de Londrina-PR (2003); Pequenos formatos, Shopping Campo Grande (2005); Bovinocultura: Obras recentes, Centro de Eventos do Pantanal, Cuiabá (2006); Aspectos da pintura de Humberto Espindola – 4º Festival América do Sul, Corumbá-MS (2007); Couros e chifres, SESC Horto, Campo Grande, Humberto Espíndola nas décadas de 1980 e 1990, Sala Especial no 7º Festival América do Sul, Museu Histórico do Pantanal (Muphan), Corumbá/MS (2009); Travessia, individual na A Casa do Parque, Cuiabá (2015); Divisão de Mato Grosso quadro a quadro (Acervo do Museu de Arte Contemporânea de MS), 12º Festival América do Sul – Pantanal, Corumbá-MS e 17º Festival de Inverno de Bonito-MS (2015 e 2016). Destacam-se as coletivas: Brazilian Art III, São Paulo e Rio de Janeiro (2003); Simpósio de Tradição Oral, Brazilian Endowment for the Arts, (2013) e From Mato Grosso and Havana via NYC, Gallery 35 e Terra, Gallery 69 (2014), ambas em Nova Iorque. Criou o mural (três faces externas) do Palácio Paiaguás, sede do governo de Mato Grosso (mármore, granito e epóxi, 371m2), Cuiabá (1974); Cabeça de Boi (ferro e aço, 8m), rotatória da Orla Morena (1996), Campo Grande; Painel Memórias de Mato Grosso do Sul (328 x 375 cm), Casa da Memória Arnaldo Estevão de Figueiredo, Campo Grande 1997; Mural externo Bovinocultura - Pavilhão (800m2), Corumbá-MS (2006); Monumento Bovinocultura – O Carro-chefe (ferro e aço, 4,5 x3 x 9 m), Cuiabá (2006); Marco Comemorativo do Centenário da Imigração Japonesa (aço, 7,20 x 1,60 x 1,20 m), Três Lagoas-MS (2008). Animador cultural, foi coorganizador da 1ª Exposição de Pintura dos Artistas Mato-grossenses, Campo Grande (1966), cofundador e diretor-técnico da Associação Mato-grossense de Arte (AMA) (1967/1972), cofundador e diretor do MACP da UFMT, Cuiabá (1973/1982), primeiro Secretário de Cultura de Mato Grosso do Sul (1987/1990), diretor do MARCO, Campo Grande (2002/2005).



Mais informações sobre o livro, neste link





 

Fonte: Assessoria

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